Vagas_de_Luar

Este é um blog criado por acaso. Veio por arrasto de um blog amigo. São bem-vindos todos os que nestas vagas, de luar, queiram navegar... naufragar. Façam o favor de mergulhar ;)

segunda-feira, janeiro 24, 2005

for you...



and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time

and so it is
the shorter story
no love no glory
no hero in her skies

i can't take my eyes off of you
and so it is

just like you said it should be
we'll both forget the breeze most of the time

and so it is
the colder water
the blower's daughter
the pupil in denial

i can't take my eyes off of you
did I say that I loathe you?
did I say that I want to leave it all behind?

i can't take my mind off of you
my mind
'til I find somebody new

damien rice

quarta-feira, janeiro 19, 2005

come enjoy this lonely sky with me..

"Eu sou o homem que fechou todas as portas dentro de si e ficou de fora."

F. R.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Caetano Veloso - How Beautiful

"A cafeteira estava na ponta da mesa, quase a cair. Tu lançaste um olhar aflito, o mesmo de me veres passar os sinais vermelhos. Antes que pudesses mexer-te lancei a mão e trouxe o guardião do nosso liquido sagrado para o centro. Não disseste nada. Eu também não. Mas não consegues disfarçar aquele sorriso de alivio . E por uns instantes estranhos e surdos chego a pensar que ainda me amas."

sorriso

"Smile, tho' your heart is aching,
Smile, even tho' it's breaking
When there are clouds in the sky,
You'll get by
If you smile Through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through For you.
Light up your face with gladness,
Hide every trace of sadness.
Although a tear May be ever so near
That's the time you must keep on trying,
Smile what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile.
That's the time you must keep on trying Smile
what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile."

sexta-feira, novembro 19, 2004

Bertrand

Pois é, o meu computador está avariado como tal falo-vos directamente do café Bertrand do Vasco da Gama (o que o vicio nos obriga a fazer. Francamente).

Mais uma semana acabou... e hoje é sexta-feira. Graças a Deus. A Deus não, a quem inventou a sexta feira e se esqueceu que a segunda também deveria ser parte integrante do fim de semana.

Enfim... divagações de quem está acordada desde as 6 da manhã e não tem mais nada importante/interessante para fazer, ou talvez tenha...

Fala, falam, falam e não dizem nada!!!!

Uh!!!!!

segunda-feira, novembro 08, 2004

Nada me diz que estou triste...


"Nada me diz
Que Marte não fica mais perto
Que amar-te assim
Não faça cair chuva no deserto
Nada me diz que dos meus olhos vai chover:
O impossível está sempre a acontecer.

Nada me diz
Que me faz falta o teu abrigo
Que estar sozinho
Não é melhor que estar contigo
Nada me diz que este vazio seja a valer:
O impossível está sempre a acontecer.

Nada me diz que estou triste."

A.S



sábado, novembro 06, 2004

Topo de Gama

Não conheces ninguém assim?



Tenho um telemóvel topo de gama
Mas ninguém me liga
Mas ninguém me chama

Tenho um automóvel cor azul indigo
Ninguém quer boleia
Ninguém vem comigo

Tenho um apartamento virado para o mar
Ninguém bate à porta
Ninguém vem jantar

Será que sou feio será que sou chato
Será que vou dar em bicho do mato
Será que sou giro mas giro ao contrário
Será que estou preso dentro de um armário
Não estás não senhor
Apenas agora ficaste de fora
Das contas do amor

Tenho as medidas de um manequim
A beleza certa
Ninguém dá por mim

Tenho um bom emprego muito produtivo
Até vale tirar olhos
É tão competitivo

Tenho um consultório com um bom divã
Onde deito a alma
E conto à mãmã

Será que sou feio, será que sou chato
Será que vou dar em bicho do mato
Será que sou giro mas giro ao contrário
Será que estou preso dentro de um armário
Não estás não senhor
Apenas agora ficaste de fora
Das contas do amor

Clã, Rosa Carne

quinta-feira, novembro 04, 2004

Uma gota de chuva na cara

E porque foi um dia comprido
E porque as poucas horas de sono já pesam os ombros
E porque as palavras teimam em sair

Deixo aqui um texto que me apeteceu recordar. É um texto de António Lobo Antunes.
Já estamos em tempo de chuva e já vos deve ter acontecido cair uma gota de chuva na cara...fica uma sensação fria, triste... enfim...


Se eu não fosse gago, era-me fácil conversar com ela. Mora três quarteirões adiante do meu, apanhamos o mesmo autocarro todos os dias, eu na quarta paragem, ela na quinta, olhamos imenso um para o outro durante os vinte minutos
(meia hora, quando há mais trânsito)
do percurso entre o nosso bairro e o ministério, ela trabalha dois andares acima de mim, subimos no mesmo elevador, sempre a olharmo-nos, às vezes parece que me sorri
(tenho quase a certeza que me sorri)
vemo-nos de longe, no refeitório, cada qual com o seu tabuleiro, ia jurar que ela me fez sinal para me sentar na mesa dela, não me sento por não ter a certeza que me fez sinal
(acho que tenho a certeza que me fez sinal)
voltamos a olhar-nos no elevador, ela volta a sorrir quando saio, volta a olhar para mim no autocarro de regresso a casa, e não sou capaz de falar com ela por causa da minha gaguez. Ou melhor, não é só a gaguez: é que, como as palavras não me saem, como quero exprimir-me e não consigo, fico roxo, com os olhos de fora
(pus-me diante do espelho e é verdade)
de boca aberta, cheia de dentes, a tropeçar numa consoante interminável, a encher o ar, à minha volta, de um temporal de perdigotos aflitos, e não quero que ela repare como me torno ridículo, como me torno feio, como me torno, fisicamente, numa carranca de chafariz, a cuspir água, aos soluços, num mugido confuso. Com os meus colegas do emprego, é simples: faço que sim ou que não com a cabeça, resumo as respostas a um gesto vago, transformo um discurso num erguer de sobrancelhas, reduzo as minhas opiniões sobre a vida a um encolher de ombros
(mesmo que não fosse gago, continuaria a reduzir as minhas opiniões sobre a vida a um encolher de ombros)
ao passo que, com ela, seria obrigado a dizer coisas por extenso, a conversar, a segredar-lhe ao ouvido
(se eu me atrevesse a segredar-lhe ao ouvido, aposto que tirava logo o lenço da carteira para enxugar as bochechas e fugia assustada)
a segredar-lhe ao pescoço, a enreda-la numa teia de frases
(as mulheres, julgo eu, adoram ser enredadas numa teia de frases)
enquanto lhe pegava na mão, enquanto descia as pálpebras, enquanto esticava os lábios na expressão infinitamente estúpida dos namorados prestes ao beijo, e agora ponham-se no lugar dela e imaginem um gago desorbitado a aproximar-se de vocês, escarlate de esforço, a abrir e a fechar a boca prisioneiro de uma única sílaba, a empurrar, com o corpo todo, um
-- Amo-te
que não sai, que não consegue sair, que não sairá nunca, um
-- Amo-te
que me fica preso na língua num rolhão de saliva, eu a subir e a descer os braços, a desapertar a gravata, a desabotoar o botão do colarinho, o
-- Amo-te
nada, ou, pior que nada, substituído por um berro de gruta, ela a afastar-se com os braços estendidos, a levantar-se, a desaparecer porta fora, espavorida, e eu, sozinho na pastelaria, debruçando-me, ainda ofegante, para o chá de limão e o pastel de nata da minha derrota definitiva. Não posso cair na asneira de conversar com ela, é óbvio que tenho de me conformar com os olhares no autocarro, com o sorriso no elevador, com o convite mudo no refeitório, até ao dia em que ela aparecer de mão dada com um sujeito qualquer, se calhar mais velho do que eu mas capaz de lhe cochichar na orelha, sem esforço
(há pessoas que cochicham sem esforço)
o que eu adorava explicar-lhe e não consigo até ao dia em que deixar de me olhar, de sorrir, de convidar-me a sentar à sua frente durante o almoço
(sopa, um prato à escolha entre dois, doce ou fruta, uma carcaça e uma garrafa pequena de vinho, tudo por quatrocentos e quarenta escudos não é caro)
e eu vê-la na outra ponta do autocarro, a poisar a testa no ombro de um sujeito qualquer, sem reparar em mim, sem reparar sequer em mim como se eu nunca tivesse existido, e eu compreender que, por ter deixado de existir, não existi nunca, e nessa noite, ao olhar-me ao espelho, não verei ninguém, ou verei, quando muito, um par de olhos
(os meus)
que me censuram, um par de olhos com aquilo que eu ia jurar ser uma lágrima a tremer nas pestanas e a descer devagarinho pela bochecha fora, ou talvez não seja uma lágrima, é apenas
(porque será inverno)
uma gota de chuva, sabem como é?, a correr na vidraça.